domingo, 13 de novembro de 2011

Bancos esquecem deficientes físicos

Portadores de deficiência física enfrentam dificuldades para utilizar os serviços das agências bancárias da região. Falta de equipamentos adaptados, despreparo de funcionários e demora no atendimento são alguns dos problemas mais comuns.
Durante a semana, a equipe do Diário percorreu oito unidades bancárias na companhia do coordenador do Grupo de Trabalho da Pessoa com Deficiência do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC Alexandre Francisco. Xande, como é conhecido, é deficiente desde o nascimento em função de um problema muscular congênito.
O martírio começa já no saguão principal. A cadeira de rodas não cabe no espaço da porta giratória, o que obriga a abertura da passagem lateral. O problema é que, na maioria dos casos, a chave fica em poder do gerente. Em uma das agências do Banco do Brasil na Rua Senador Fláquer, a porta demorou quase cinco minutos para ser aberta. Nos demais bancos visitados, o tempo varia entre um e três minutos.
Os caixas eletrônicos também representam desafio. Por serem altos, os equipamentos dificultam a visão do cadeirante ao teclado e ao monitor.
Na área de atendimento, os bancos oferecem mesas rebaixadas. O problema é que nem sempre os caixas adaptados funcionam. Em uma agência do Bradesco, o terminal reservado a deficientes não tinha computador.
No Itaú, o caixa tem altura normal, o que dificulta a comunicação entre o cliente e o bancário. "Se eu tivesse que assinar algum documento, não conseguiria", reclamou Xande. Outro problema é a ausência de recuo para as pernas. O único banco visitado cujo caixa foi considerado ideal pelo usuário foi o Mercantil do Brasil.
Na Caixa Econômica Federal, Xande procurava informações a respeito das parcelas de seu imóvel, quando foi alertado que o atendimento seria feito no primeiro andar. O elevador, no entanto, não funcionava. O serviço, então, foi improvisado em um caixa no térreo.
O despreparo de funcionários e vigilantes também atrapalha o serviço. Ao sair de duas agências após curto tempo de permanência, seguranças, em tom irônico, questionaram sobre o pouco tempo em que havia ficado na agëncia. Em outras situações, funcionários abordaram o cliente sobre o tipo de atendimento que procurava. "Engraçado é que eles não perguntam isso para as demais pessoas na fila. É muita indiferença conosco", protesta Xande, que afirma usar a internet para fazer transações sem sofrer preconceito.
Instituições dizem oferecer acessibilidade
Apesar dos problemas encontrados pelo Diário nas agências do Grande ABC, os bancos dizem ser adaptados para receber deficientes. As instituições financeiras alegam que estão em conformidade com as exigências legais. "O Banco do Brasil cumpre as deteminações legais e técnicas naquilo que se refere à promoção de acessibilidade e atendimento prioritário às pessoas com deficiência física, visual, auditiva e mental", informa a empresa estatal.
O BB diz que as agências não adaptadas passarão por reformas ou realocação.O Santander informa que cumpre "as normas de acessibilidade" e oferece treinamento aos bancários. O banco afirma que a entrada pela porta lateral é "facilitada por diversos funcionários, além de atender aos critérios de segurança".
Segundo o Mercantil do Brasil, todas as agências do banco estão aptas a receber portadores de necessidades especiais. Em relação aos caixas eletrônicos, a empresa diz que todos são "certificados".
Já o Itaú salienta que oferece "rampas de acesso, vagas mais amplas e demarcadas, sinalização especial, banheiros e guichês adaptados para facilitar o contato". A instituição financeira não comentou a respeito dos caixas eletrônicos.
A Caixa Econômica Federal também diz que "oferece em suas agências acesso a edificações, mobiliário e ambientação para atendimento de pessoas com deficiência motora e visual, ou de mobilidade reduzida". O banco estatal promete que, em 30 dias, todas as agências da região terão modelos de guichês de caixa e de atendimento adaptados, bem como os balcões para preenchimento de guias e cheques. Em relação ao elevador quebrado em Santo André, a empresa justifica que o problema foi resolvido no mesmo dia.
O Bradesco e a Federação Brasileira de Bancos não responderam aos questionamentos da reportagem.
O Banco Central, por sua vez, afirmou que não possui normativo que obrigue as instituições a instalarem caixas eletrônicos e outros equipamentos adaptados para pessoas com mobilidade reduzida.
Especialistas cobram aplicação da lei
Especialistas em Direito ouvidos pelo Diário defendem que os bancos cumpram com rigor a legislação que exige acessibilidade no interior das agências. A lei 10.098/2000, regulamentada pelo decreto 5.296/2004, exige que "a construção, ampliação ou reforma de edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo deverão ser executadas de modo que sejam ou se tornem acessíveis às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida".
O decreto determina que o mobiliário de recepção e atendimento deve ser adaptado com base em normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Entre outras obrigações, a norma 9.050 da ABNT exige que os balcões devem possuir profundidade mínima de 30 centímetros, o que não foi respeitado na maioria das agências da região visitadas pela equipe do Diário.
Apesar de a lei não ser específica para os bancos, a professora de Direito da Universidade Mackenzie Patrícia Tuma Bertolin explica que as instituições financeiras têm a obrigação de se enquadrar na legislação. "A lei se volta a toda a sociedade, e não especificamente aos bancos. No entanto, eles não podem se eximir de cumprí-la".
A especialista acrescenta que, por conta dos altos lucros registrados, os bancos "não podem alegar grandes transtornos financeiros para fazer as adaptações necessárias". Patrícia cobra fiscalização mais efetiva, de forma que seja criada conscientização acerca do assunto.Professor de Direito do Consumidor da Faculdade de Direito de São Bernardo, Artur Rollo afirma que os bancos devem oferecer condição para que o usuário deficiente consiga fazer todos os procedimentos necessários sem a necessidade de ajuda de terceiros. "Infelizmente, o Brasil ainda está engatinhando em questão de acessibilidade."
Rollo avalia que os bancos brasileiros se limitam a instalar rampas e elevadores, sem adaptar o restante da agência. Para o especialista, o fato de a lei não definir penas em caso de descumprimento dificulta punições a empresas em situação irregular.
A advogada Ana Paula Satcheki, diretora do Procon de Santo André, orienta os clientes que se sentirem lesados a procurarem o Ministério Público ou registrarem ocorrência em delegacia próxima. "O Procon atua mais em questões específicas e pontuais, como a devolução de dinheiro ou de mercadoria com problema. A atuação do Procon é mais de conscientização e conciliação. Se o deficiente se sentir prejudicado, ofendido, constrangido, ele tem de procurar o Judiciário para tentar receber indenização."
Para sindicato, bancos discriminam deficientes
A presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Maria Rita Serrano, avalia que os bancos discriminam portadores de deficiência física. "Se a situação é ruim para os clientes, imagine para os trabalhadores", alerta.
A dirigente afirma que a adaptação das agências esteve presente na pauta de reivindicações da última campanha salarial da categoria, finalizada no mês passado. Segundo ela, a Federação Brasileira de Bancos informa que já está cumprindo a lei. "Outro problema grave é que as instituições financeiras não preparam funcionários e vigilantes para prestar bom atendimento aos deficientes", acrescenta Maria Rita.
Procurada, a Febraban não se manifestou.
Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dia de luta por calçadas melhores!

Ontem (21/9) foi o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. Vários cadeirantes e muletantes foram às ruas para fazer valer a data: lutar pelos seus direitos.
 E nós também fomos reivindicar pela acessibilidade. E tem lugar melhor para comemorar a data do que o centro de São Paulo?
O roteiro desta semana foi extenso: Praça Ramos, Ruas: Formosa, São Bento, Boa Vista, João Brícola, Antônio Prado (Largo do Café), 15 de novembro, 3 de dezembro, Direita, Líbero Badaró, Largo da Misericórdia, R. Quintino, Benjamin Constant, Praça da Sé, Praça João Mendes, e Rua Maria Paula com Brigadeiro Luis Antonio.
 Começamos então pelo marco zero da cidade: a Catedral da Sé. Até aí, “tudo bem”. Nem um dos cartões postais da cidade passou ileso no nosso teste. Nos deparamos com calçadas esburacadas e soltas, armadilha fácil para  que qualquer pessoa (cadeirante ou não) se machuque.
 O que  foi bastante marcante na vistoria dessa semana foram as “tampas” de bueiros deslocadas. Uma pessoa desatenta que passa por cima de um bueiro mal tampado, pode se machucar gravemente. Atenção para concessionárias de luz, água, TV... Melhor prevenir do que remediar.
Não faz sentido que pontos turísticos e grandes centros, onde passam milhares de pessoas todos os dias, não tenham acessibilidade.
Pontos como Vale do Anhangabaú, sede de Virada Cultural e Virada Esportiva, Praça Ramos, Largo do Café, Líbero Badaró...todos cheios de buracos e falhas nas calçadas que se tornaram marcas características do centro, infelizmente.
Mas nem tudo está perdido. Várias lojas já tiveram o insight de se tornarem acessíveis.
Na ilha, entre a Brigadeiro Luis Antonio e a Maria Paula, senti na pele o que um desnível, por menor que pareça para um andante, pode ser ruim para um cadeirante. Se o Fábio não estivesse atento na hora, provavelmente, eu teria caído no meio da rua, já que nem me dei conta do buraco à minha frente.
Pedestre, atenção:
Elegemos as piores calçadas. Cuidado:
-Saída do metrô São Bento (R.São Bento, 500 e 515)
- Vale do Anhangabaú, próximo ao Sindicato do Comércio
- Largo da Misericórdia
Mas os resultados da vistoria desta semana até que foram positivos! Somos bastante exigentes, mas não somos loucos, e não vivemos na ilusão de que tudo será perfeito um dia. Afinal, é utopia, nem nos países mais desenvolvidos isso acontece.  Não buscamos perfeição, mas segurança é o mínimo que podemos exigir.
Neste dia para lembrar a nossa luta por acessibilidade, sentimos que o centro em breve será um local mais acessível, onde mais pessoas com deficiência se sentirão bem vindas para circular. Afinal, o Centro de São Paulo é lindo, cheio de história, de cultura, vale à pena desvendar cada rua escondida dessa grande metrópole. Mas, em meio a esta aventura, ninguém quer desviar de buraco, tampouco cair em uma armadilha desta selva de pedras. Experiência própria.
Fonte: www.maragabrilli.com.br

domingo, 6 de novembro de 2011

DEFICIENTE VISUAL QUE NASCEU EM SÃO JOSÉ DO EGITO É O NOVO SECRETÁRIO NACIONAL DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

 Um cego de origem humilde, nascido na cidade de São José do Egito, é o novo Secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e nesta condição está percorrendo todas as capitais do país para divulgar as ações do órgão que dirige.
Ele se chama Antonio José Ferreira e sexta-feira passada esteve em Boa Vista, capital de Roraima, e se reuniu com um conterrâneo que não conhecia e tampouco sabia que morava lá há quase 40 anos: o prefeito Iradilson Sampaio(PSB).

Ferreira viajou a convite do Ministério Público para participar de uma reunião patrocinada pelo Centro Operacional de Apoio às Procuradorias e Promotorias de Justiça.
O evento foi aberto ao público e teve entre os convidados representantes das Associações Anjos de Luz e dos Deficientes Visuais de Roraima e do Colegiado das Associações das Pessoas com Deficiência.
Em seguida ele se reuniu com o prefeito Iradilson Sampaio e o governador José Anchieta Júnior (PSDB).
Antônio José Ferreira também é vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) e já presidiu a Organização Nacional dos Cegos do Brasil.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Gravataí será em agosto

logotipo da conferência - Arte: Secom/PMG

23/07/2010
População está convidada a contribuir para os debates sobre o tema


A Prefeitura de Gravataí, através da Assessoria de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência (APPPD) e em parceria com o Conselho de Direitos da Pessoa com Deficiência, realiza em agosto a Terceira Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

O tema central de debate é ‘Inclusão com qualidade de vida’, que permite a abordagem dos eixos temáticos de Educação, Saúde, Trabalho e assistência social e Esporte, turismo e lazer.

Em datas anteriores ao evento, a Assessoria promove quatro pré-conferências nos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS).

O primeiro ocorre no Centro do Barro Vermelho, no dia 28 de julho, às 9h30. O segundo, será no CRAS Centro, no dia três de agosto, a partir das 15h30. No dia quatro de agosto, serão realizadas as pré-conferências nos CRAS Cohab's, às 9h, e Barnabé, a partir das 13h30.

A assessora de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, Míriam Barbosa, justifica a importância dessa medida: “Queremos divulgar o encontro para as pessoas com deficiência, usuárias dos Centros que, às vezes, não têm conhecimento sobre a possibilidade de opinar sobre suas demandas”. Escolas municipais e postos de saúde e entidades também serão convocados para fazer parte das discussões na Conferência.

Míriam Barbosa destaca ainda que toda a atual gestão municipal tem como objetivo ouvir a comunidade e saber de suas necessidades. Por isso, é fundamental que pessoas com deficiência, entidades e envolvidos com a causa aproveitem a oportunidade para participar da elaboração das propostas políticas referentes ao tema. Essas propostas serão formuladas dentro de cada um dos quatro grupos temáticos da Conferência. Depois, redigidas em texto único que será base para as diretrizes do próprio Município e que será encaminhado à Terceira Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficência, que ocorre nos dias 13 e 14 de setembro.

A Segunda Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência ocorreu em 2008 e aprovou diversas resoluções de viabilização da acessibilidade das pessoas com deficiência. Gravataí também promoveu uma avanço importante ao determinar monitores para os estudantes com deficiência matriculads nas escolas do Município.

A Conferência Municipal tem como propósito organizar as políticas públicas executadas na área até 2012, quando ocorre a próxima edição do encontro. Na data, ainda acontecem eleições para os 14 delegados que representarão Gravataí na Conferência Estadual.

O evento ocorre no dia 11 de agosto (quarta-feira), das 8h30 às 17h, na Facensa (José Loureiro da Silva, 1991, Centro) e é aberto à população. Mais informações podem ser solicitadas através da assessoria, pelo telefone 4001-3715.

Confira o cronograma da Conferência
:
8h30 – Credenciamento

9h – Abertura oficial

9h30 – Palestrantes
Humberto Lippo Pinheiro – Sociólogo e professor da Ulbra/Canoas;
Aurelise Braun – Pedagoga, Orientadora educacional, especialista em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas, Instrutora da AGAS;
Carmen Bez Batti – Nutricionista, especialista em Humanização da Atenção e Gestão do SUS, representante Municipal do Comitê Regional de Humanização.

12h – Intervalo para almoço

13h30 – Grupos de trabalho

15h – Apresentação dos grupos

15h30 – Votação das propostas

16h30 – Escolha de delegados

17h - Encerramento

Redação
Fones: (51) 4001 3271 - 4001 3272 - 4001 3267


Fonte: Prefeitura de Gravataí

domingo, 23 de outubro de 2011

os 12 preceitos que levam à mudança de paradigmas no século XXI

 


COMO ENTENDER E RESPEITAR A PESSOA COM DEFICIÊNCIA

  1. Lembre-se de que as pessoas com deficiência são indivíduos próprios. Elas não pertencem a você, à família, aos médicos ou à sociedade.
  2. Cada pessoa com deficiência é diferente das outras e que, independente do rótulo que lhe seja imposto para a conveniência de outras pessoas, ela ainda assim é uma pessoa “única”. Não existem duas crianças com síndrome de Down que sejam iguais, ou dois adultos com deficiência auditiva que respondam ou reajam da mesma forma.
  3. Elas são pessoas antes de tudo e têm o mesmo direito à auto-realização que quaisquer outras pessoas, no seu ritmo próprio, à sua maneira e por seus próprios meios. Somente elas podem superar suas dificuldades e encontrar a si mesmas.
  4. As pessoas com deficiência têm a mesma necessidade que você de amar e ser amado, de aprender, partilhar, crescer e experimentar, no mesmo mundo em que você vive. Elas não têm um mundo separado. Existe apenas um mundo.
  5. As pessoas com deficiência têm o mesmo direito que você de fraquejar, falhar, sofrer, desacreditar, chorar, proferir impropérios, se desesperar. Protegê-las dessas experiências é evitar que vivam.
  6. Somente as pessoas com deficiência podem lhe dizer o que é possível para elas. Nós, que as amamos, devemos ser observadores atentos e sintonizados.
  7. As pessoas com deficiência devem agir por conta própria. Podemos oferecer-lhes alternativas, possibilidades e instrumentos necessários – mas somente elas podem colocá-los em ação. Nós podemos apenas permanecer firmes, e estar presentes para reforçar, encorajar, ter esperanças e ajudar quando possível.
  8. As pessoas com deficiência, assim como nós, estão preparadas para viver como desejarem. Elas também devem decidir se desejam viver em paz, com amor e alegria, como são e com o que têm, ou deixar-se ficar numa apatia lacrimosa, esperando a morte.
  9. As pessoas com deficiência, independente do grau, têm um potencial ilimitado para se tornar não o que nós queremos que sejam, mas o que elas desejam ser.
  10. As pessoas com deficiência devem encontrar sua própria maneira de fazer as coisas – impor-lhes nossos padrões (ou os da cultura) é irreal e até mesmo destrutivo. Existem muitas maneiras de se amarrar os sapatos, beber em um copo, chegar até o ponto do ônibus. Há muitas formas de se aprender e se adaptar. Elas devem encontrar a forma que melhor se lhes ajuste.
  11. As pessoas com deficiência também precisam do mundo e das outras pessoas para que possam aprender. O aprendizado não acontece apenas no ambiente protetor do lar ou em uma sala de aula, como muitas pessoas acreditam. O mundo é uma escola, e todas as pessoas são professores. Não existem experiências insignificantes. Nosso trabalho é agir como seres humanos afetuosos, com curativos emocionais sempre prontos para uma possível queda, mas com novos mapas à mão para novas aventuras!
  12. Lembre-se de que todas as pessoas com deficiência têm direito à honestidade em relação a si mesmas, a você e a sua condição. Ser desonesto com elas é o pior serviço que alguém pode lhes prestar. A honestidade constitui a única base sólida sobre a qual qualquer tipo de crescimento pode ocorrer. E, acima de tudo, lembre-se de que elas necessitam do que há de melhor em você. A fim de que possam ser elas mesmas e que possam crescer, libertar-se, aprender, modificar-se, desenvolver-se e experimentar, você deve ter essas capacidades. Você só pode ensinar aquilo que sabe. Se você é aberto ao crescimento, ao aprendizado, às mudanças, ao desenvolvimento e às novas experiências, permitirá que elas também o sejam.

Declaração de Manágua
“Queremos uma sociedade baseada na igualdade, na justiça, na equiparação e na interdependência, que assegure uma melhor qualidade de vida para todos, sem discriminação de nenhum tipo, que reconheça e aceite a diversidade como fundamento para a convivência social. Uma sociedade onde o primeiro direito seja a condição de pessoa, de todos os seus integrantes, que garanta sua dignidade, seus direitos humanos, sua autodeterminação, sua contribuição à vida comunitária e seu pleno acesso aos bens sociais.


Veja a Declaração de Managuá na íntegra com a tradução de Romeu Sassaki.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

11 de Outubro Dia Nacional da Pessoa Portadora de Deficiência Física


Pessoa PortadoraA vida para uma pessoa portadora de deficiência física não é nada fácil. Se para pessoas sem qualquer problema físico, o dia-a-dia já é uma experiência estressante, imagine para quem depende de adaptações ou da ajuda de terceiros para se locomover. São muitos, aliás, os obstáculos enfrentados pelas pessoas portadoras de deficiências – de ordem social, política, econômica e cultural e não só os do cotidiano – distanciando-os bastante de conseguirem chegar ao ideal pretendido pelas Nações Unidas de “Participação Plena e Igualdade”.
Isto porque o ponto crucial da questão estaria na relação entre o indivíduo e uma sociedade com padrões definidos, que alimenta a separação, ao tratar de forma inadequada os limites e as diferenças do outro. A anomalia se instala, quando não é dado um mínimo de condição às pessoas portadoras de deficiência de exercer o convívio em comunidade, incluindo aí aspectos fundamentais na vida de qualquer um, como educação, trabalho, habitação, segurança econômica, pessoal etc. Bom ressaltar que as pessoas portadoras de deficiência reivindicam a eliminação dos impedimentos a uma vida normal – o simples ir e vir, por exemplo – da mesma maneira que não esperam nenhum tipo de paternalismo ou piedade.
Esta via de conduta, inclusive, seria para eles algo ruim, uma vez que enfatiza o preconceito e estimula a exclusão, ao invés de inseri-los no meio social. Acabam sendo tratados, assim, como um problema e não como cidadãos que possuem seu potencial criativo ou de produção. Dia 11 de outubro, as pessoas portadoras de deficiência física só desejam uma coisa de nós, sociedade: oportunidades e tratamento iguais.
Já andou pelas ruas da cidade? Percebeu que algumas calçadas são elevadas e que há pouquíssimas rampas de acesso a lugares mais altos? Que os motoristas no trânsito costumam ser estressados e o pedestre pouco respeitado? Ele, também, impaciente, nervosinho? E que em vias de maior velocidade e poucos sinais, existe uma ou outra passarela para facilitar a travessia? E os banheiros públicos, percebeu o aperto? Tamanho de elevadores – da maioria, pelo menos – tem cabimento?
Agora, passe isso tudo para uma pessoa portadora de deficiência e multiplique por três. Imaginou? Então. Pois é exatamente isto que você pensou o resultado da soma de obstáculos enfrentados por uma pessoa portadora de deficiência física na rotina do ir e vir. Ou seja, dá para notar que para uma pessoa com limitações físicas, a simples locomoção pelas ruas não é nem um pouco confortável.
Algumas cidades do país já demonstram sensibilidade nesse sentido, tomando providências para facilitar a vida dessas pessoas, mas são raras. O município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, adotou uma medida louvável. Para cada sinal de trânsito, foram adaptadas rampas nas calçadas, para que pessoas em cadeiras de rodas se locomovam mais livre e independentemente de ajuda.
É um começo.
Talvez por isso não seja coincidência que a sede do Comitê Paraolímpico Brasileiro tenha sido instaurada naquela cidade. Um outro começo.
O ESPORTE COMO EXEMPLO
Nada melhor do que o esporte para quebrar visões deturpadas de que pessoas portadoras de deficiência física são um estorvo ou problema para a sociedade. No lugar do sentimento de piedade, aliás, deveria ser posto o de colaboração, educação e civilidade. Ou seja, a consideração a ser dispensada a uma pessoa portadora de deficiência teria de ser a mesma que deveríamos dispensar a qualquer pessoa não portadora.
Pois qual a diferença entre atletas “medalha de ouro” no basquete – no caso de serem paraplégicos ou não – senão a cadeira de rodas? Objeto externo à pessoa, que não a qualifica. Ambos superaram seus limites e deram o seu melhor. Ambos são primeiro no pódium. Da mesma forma, um mendigo portador de deficiência e um outro sem limitações físicas precisam igualmente de nossa solidariedade. Não há melhor ou pior, nos dois casos.
E a prova, em se tratando do esporte, se dá na quantidade de medalhas que os atletas paraolímpicos brasileiros trouxeram para o país competindo em disputas internacionais.
Bom lembrar que os Jogos Paraolímpicos acontecem desde 1960, sendo que o primeiro foi realizado em Roma, na Itália, com a participação de 23 países e 240 atletas. O Brasil competiu pela primeira vez no ano de 1972. Nos Jogos Paraolímpicos de Seul, em 1988, a delegação nacional obteve 27 medalhas, sendo quatro de ouro, dez de prata e treze de bronze. Na de Atlanta, em 1992, 21 medalhas – duas de ouro, seis de prata e 13 de bronze. E nas Paraolimpíadas de Sidney 2000, na Austrália, o Brasil conquistou 22 medalhas: seis de ouro, dez de prata e treze de bronze.
Mas foi em 2004 que o Brasil obteve seu melhor desempenho nas Paraolimpíadas. Os jogos foram realizados em Atenas, durante onze dias de competições, das quais nosso país conseguiu 33 medalhas! Foram 14 de ouro, 12 de prata e sete de bronze. Em relação aos outros países, o Brasil ficou em 14º lugar no quadro de medalhas em Atenas. O primeiro lugar coube à China (63 ouros, 46 pratas e 32 bronzes), seguida por Grã-Bretanha e Estados Unidos.

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